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Negócios e Software Livre

Quem sou eu

Sou usuário de SL desde 98 e desenvolvedor de SL desde 2003, contribuidor de vários projetos de SL, co-fundador do PSL-BA e da cooperativa Colivre.

Durante essa apresentação posso me referir a Colivre algumas vezes e usarei a palavra "empresa" em lugar de "cooperativa", porque, por algum motivo bizarro, muita gente entende cooperativas como ONGs ou como organizações de comunidades periféricas, inadequadas para "pessoas qualificadas" da classe-média. Nós não recebemos dinheiro de almas caridosas para prover serviços assistenciais de forma gratuita, nós temos fins econômicos e vendemos nossos serviços em troca de dinheiro. A grande diferença é que na Colivre, sendo uma cooperativa "raiz", todo trabalhador é dono e todo dono trabalha. Nela tentamos e (quase sempre (sim eu disse quase)) conseguimos trabalhar da forma mais ética imaginada dentro da nossa área de atuação, para com o público consumidor.

Fundamentos: o que é SL e OSS

  • SL é o software cuja licença provê certas 4 liberdades.
  • OSS é o software cuja licença provê certas 10 garantias.

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A diferença não está no software e nem nas licenças, está no discurso. Existem detalhes nas diferenças e questões especificas em licenças raras e desconhecidas que podem ser vislumbradas no artigo de Aurium e no episódio 3 do Papo Livre.

Ética x Lucratividade

  • Toda vez que um empreendedor escolhe tomar uma atitude anti-ética em nome do lucro, ele valida a tese da esquerda de que um sistema baseado no lucro é inadequado para construir uma sociedade justa.
  • Toda vez que um empreendedor é condescendente consigo mesmo diminuindo a relevância ou negando a natureza anti-ética de uma atitude que colocou em cheque direitos de outras pessoas, ele valida o discurso de que a humanidade deve superar o capitalismo para garantir um mundo mais justo e livre.

Portanto:
  • Quem crê no capitalismo não deve fugir de propostas de negócios éticos, deve promovê-los, assim como verdadeiros liberais devem promover o combate ao monopólio e o antitruste.
  • Quem é contrário ao capitalismo deve abraçar e exigir relações éticas entre empresas e a sociedade ao ponto de explicitar a sua inviabilidade, caso essa tese esteja correta.

  • Claro... Controlar o usuário é mais fácil e mais lucrativo.
  • Peças de veículos, cartuchos de impressoras, contratos draconianos de empresas de telecom, editores de formatos fechados, ...

Controlar o usuário é mais lucrativo. Quer dinheiro fácil? Arranje uma forma de tornar seus clientes dependentes de você, caso contrário a única forma de conseguir continuar fechando contratos e recebendo dinheiro é fazendo um bom trabalho. E isso dá trabalho.

Na década de 90 fabricantes de impressoras perceberam que seria mais fácil vendê-las o mais barato possível e ganhar dinheiro de verdade vendendo tinta a valores extorsivos em cartuchos proprietários, impossíveis de recarregar ou desnecessariamente difíceis de fazê-lo.

Profissionais do design não podem se dar ao luxo de não ter uma licença do Corel Draw por mais ultrapassado que esse esteja, já que é a única forma de abrir arquivos CDR com qualidade, para o seu legado ou artes recebidas de terceiros.

Ética e Lucratividade

  • Dizer a verdade pode dificultar as vendas, mas melhora o pós-venda por não ferir expectativas e simplifica a manutenção pelo mesmo motivo.
  • Garantir a liberdade de escolha ao seu cliente é melhor inclusive quando um cliente decide continuar o projeto com outra empresa, porque...
    • Será uma separação amigável, mesmo que mais prematura, em contraste com a frustração de uma separação que significará recomeçar o projeto do zero com um concorrente que não tem acesso ao código.
    • Se o cliente descobrir que a separação foi um engano, o retorno é tecnicamente viável, sem (grande) comprometimento dos avanços feitos por outro prestador de serviço.
  • Dar autonomia ao cliente sobre o produto comprado por ele não é um favor é o mínimo que uma entidade respeitável deve fazer.
  • Existem clientes que escolhem pelo preço e nesse ponto é difícil concorrer com quem tem formas ocultas e questionáveis de obtenção de lucro, mas...
    • Sim, existem clientes que privilegiam prestadores de serviços com boa imagem;
    • Existem clientes que aprenderam que o preço mais baixo não é a melhor característica de um produto.

SL e o direito do usuário

  • Não somos donos do dispositivo do usuário;
  • Não podemos criar limitações artificias a escolha do usuário;
  • Dados do usuário são do usuário;
  • O que uma pessoa pagou para ser feito é propriedade dela.

No ciberespaço o software é a lei

  • Nossas interações são (cada vez mais) mediadas por dispositivos digitais;
  • P2P P2G P2B B2G B2B;
  • O software define o que se pode ou não fazer no ciberespaço;
  • Um ente privado tem o direito de legislar sobre a sociedade?

Então, quem trabalha com software privativo é mal intencionado?

  • Assim como existe cristão eugenista, machista e truculento,
  • Também existe ladrão paternal e incapaz de agredir uma mulher.
Uma escolha ou uma característica isolada não define a índole de uma pessoa. Todos nós somos uma mescla complexa de impulsos interesses e interpretações (muitas vezes) contraditórias do mundo.

  • Muitos não percebem contradições entre a sua visão de mundo e suas ações;
  • Muitos percebem as contradições mas não querem lutar contra elas;
  • Muitos querem lutar contra suas contradições, mas mão sabem como.

Modelos de negócio incompatíveis com SL

(ou modelos de negócio que não respeitam o usuário)
  • EULAs restritivas
  • SaaS

Modelos de negócio que respeitam o usuário

(ou modelos de negócios compatíveis com SL) A 3ª liberdade do SL é incompatível com a venda de software em caixinha, não porque ela a proíbe, mas porque o primeiro comprador poderá redistribuir este produto a custo zero... mas essa é a única forma de ganhar dinheiro com software?
  • Mozilla
  • Canonical
  • WikiRing (past)
  • WordPress
  • GitLab
  • RedHat
  • Øyvind Kolås (GIMP)
  • Colivre

SL e a liberdade de fornecedor de serviço

Dada as 4 liberdades, toda empresa que trabalha provendo SL pode (sem nenhum exagero) explicitar em sua campanha de marketing que promove a liberdade de escolha e troca de fornecedor de serviço.

SL e a concorrência

  • Wikinomics
  • Open-source economics
  • Commons-based peer production

SL e "a eficiência e economicidade do estado"

  • Sendo meio, o software não é diferenciador. Se quisermos tratar unidades federativas como empresas seria válido considerar a diferenciação entre estes, como faz Perens em The emerging economic paradigm of Open Source.
  • Sendo investimento público, deve ser compartilhado com o público. E por ser democrático deve permitir a participação ou validação dos cidadãos.

SL x pequenas software houses

Existem infinitos problemas computáveis, então existem infinitas oportunidades de trabalho para infinitos programadores.

Topic revision: r8 - 28 Apr 2018, AurelioAHeckert
 

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