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Matemática está em tudo, mas esse não é um artigo sobre matemática. smile

Recentemente Rafael Gomes, um amigo, falou sobre o problema na existencia de uma grande variedade de distribuições GNU/Linux. Baseado no artigo "Choice or Chaos? The High Cost of Linux Fragmentation" ele disse que seria preciso uma padronização para possibilitar uma maior adoção do SL no mercado.

Realmente algumas empresas usaram o fato de existirem centenas de opções de distros como um fator negativo a adoção do GNU/Linux para venda (Esse é um ponto importantíssimo a se refletir). De acordo com esses, a liberdade de escolha e a possibilidade de "vestir a roupa certa", vale menos que a busca entre as possibilidades.

Pessoalmente vejo isso como uma falácia. Essas empresas estão dando uma desculpa aparentemente válida para esconder seu pouco interesse em investir na venda de máquinas ou prestação de serviços com GNU/Linux. Primeiramente porque temos centenas de distros que servem apenas como hobby ou são mutações que existem para um grupo super específico e vêz por outra repassam seus fenótipos interessantes a distribuição mãe. O que sobra são menos de 10 distribuições que realmente tem reconhecimento internacional, estabilidade em sua estrutura e uma base respeitável de usuários. Sendo assim essas centenas de distribuições não são um problema de escolha, mas sim uma prova de que se a roupa não te servir, você pode ir no costureiro e fazer um ajuste. wink

Eu quero viajar aqui… Vendo um pouco sobre teoria do caos aprendemos que do caos emergem padrões. Seja como for, no caos existe uma ordem. Padrões que surgem do coletivo serão mais fortes e mais inclusivos que padrões impostos. Então acho que é importante a existência de uma grande variedade de implementações coexistindo para maturar padrões abertos.

Quando falamos em padronizar, temos que pensar em padronizar as interfaces, possibilitando a comunicação e não usar o mesmo software. Essa idéia bizarra de "one fit all" foi fortemente difundida pela Microsoft como uma de suas primeiras ações contra o SL e hoje ela mesma está se distanciando disso, pouco a pouco. (Mas não vai largar o osso tão cedo)

Vamos ver o caso dos padrões W3C e a guerra dos browsers. Já existia uma certa padronização para a web, contudo o Netscape e o Internet Explorer lutavam pela dominação atraindo usuários com funcionalidades que estendiam os padrões. Após usar seu poder de monopólio a MS tirou o Netscape do páreo e começou a controlar a web adicionando funcionalidades que não se adequavam aos padrões da web. Com a entrada do Mozilla (e filhos), Opera e Konqueror, dentre outros novos browsers iniciou-se uma nova onda de pressão pela padronização da web de forma que usuários de browsers alternativos pudessem navegar sem problemas.

Voltando para o caso das centenas de distribuições…

Ter centenas de opções á ótimo. São como roupas… Todas as camisas tem dois braços, mas cada um usa um estilo diferente, seja por gosto ou necessidade. O interessante é que quando penso em camisas só me vem 3 tipos: Camiseta, Camisa de botão e Regata. Tá… tem outras (milhares!), mas mas são basicamente variações dessas.

A empresa quer usar ou dar suporte a um modelo único de sistema operacional, beleza, escolhe uma distro das mais respeitadas e pronto. Se o usuário quer outra distro ele não compra aqui, compra lá.

Ter muitas opções é um benefício para o conhecedor da área e não para o leigo, mas o leigo não anda sozinho mesmo. Ou ele compra suporte técnico ou usa uma distro para leigos que vai instalar uma pré-seleção de softwares e pronto.

GNU/Linux não está longe de ser o Sistema Operacional mais usado do mundo por ter centenas de distros. Não… E esse me parece ser um erro comum de avaliação. Se a questão fosse essa o MacOS seria muito mais usado no primeiro mundo onde seu preço não faz tanta diferença. O GNU/Linux começou a andar de verdade para o desktop muito recentemente, entrando num mercado maduro e já dominado por um SO totalmente diferente. (Uma resposta idiota seria dizer "Ah… então faz o Linux com cara de Windows!". Um erro de avaliação infantil.)

No futuro sua multiplicidade de opções será um argumento para se manter no GNU/Linux…


Agora eu vou sair um pouco da visão Técnico de TI ou serei fortemente específico.

Dá pra falar por horas sobre os benefícios de termos opções…

Para divulgadores do Software Livre

Repudiar a diversidade do SL é repudiar a natureza do SL e um de seus fundamentos. (Vá além das 4 liberdades. Porque elas existem?)

O SL também se beneficia do conceito biológico "Seleção Natural" (uau! que complexo!). Isso só existe com a diversidade. Lembra-se do fork do Sodipodi? O Inkscape mostrou que poderia fazer algo semelhante, mas de forma melhor e hoje é citado como um dos melhores exemplos de evolução de Software Livre. E quanto aos padrões? Isso não modificou em nada o padrão SVG, nem criou incompatibilidades, na verdade o Inkscape fortaleceu o padrão e ajudou bastante em sua divulgação.

Diversidade não é um conceito bonito a-toa. O convívio com a diferença estimula a criatividade.

Combate ao Monopólio

Eu me sinto mal toda vez que vou ao supermercado. Já morei em 3 estados do Brasil além de viajar um tanto e acho que posso dizer como é. Não temos escolha (ponto final). Na região sul a coisa é um pouco melhor, mas estamos muito longe do que me relataram de supermercados nos EUA, França e Finlândia, que certamente representam bem o primeiro mundo.

Não existe economia saudável com monopólio.
Repetindo: Não existe economia saudável com monopólio.

Vá comprar uma caixinha de extrato de tomate. Outro dia fui no supermercado comprar uma e nossa! 4 marcas! (isso é um número ridículo, mas vai ficar pior) De cara já juntava duas marcas Knorr e Cica, na verdade são uma, pq a Cica já tinha comprado a Knorr. Então peguei o da Arisco e [Than-than!] é da Unilever (ou Gessylever) e eu não vou dar dinheiro pra estrangeiro por coisa produzida no Brasil. Ok… A Cica é nacional. Errado! A Cica é da Unilever também! Porra! 3 marcas entre 4 tem o mesmo dono e o dito cujo é estrangeiro! Vou mudar o slogan: "Brasil, um país de otários"

Onde entra SL aqui? Software livre é opção, é Diversidade. As pessoas precisam saber que ter opções é bom e quando isso acontecer poderemos pensar em uma economia estável sem juros do governo e sadia o suficiente para reduzir nossos problemas sociais.

Aprendendo com a observação

Já ví vários adolescentes loucos que instalavam uma distro diferente a cada semana. Isso não seria possível se não existissem centenas de distros. Mas qual a utilidade disso? É muito, mais muito, mais difícil aprender sobre algo quando você não vê variações dessa coisa. E quando aparece uma variação você não sabe distingui-la eficientemente e nem trata-la de forma adequada. Uma criança que nunca viu animal nenhum, a não ser o cachorro da família vai chamar o gato da tia de au-au na primeira vez que o encontrar.

Esses adolescentes estão aprendendo muito mais sobre GNU/Linux e sistemas operacionais do que poderiam imaginar sem ficar fuçando e percebendo suas nuancias.

Criar uma nova distro gera renda

CDD ou Custom Debian Distributions é uma distro variante de Debian que segue certos padrões e mantêm um cordão umbilical com o projeto garantindo benefícios nos dois sentidos.

Otávio Salvador é o cabeça do projeto Debian-BR-CDD, está a frente também das definições globais de CDDs e codificações correlatas.

Ele percebeu que podia prestar serviços usando seu grande conhecimento nesse objeto e criar customizações profundas e super específicas de Debian, que seriam no fim das contas, novas distros, para uso em grandes instituições. E é isso que a empresa dele está fazendo a algum tempo.

O mesmo aconteceu com Morimoto, pai do Kurumin. Recebeu inúmeras propostas para criar variações do Kurumin pelo Brasil. (até onde eu sei) (Eu continua achando o Kurumin uma péssima distro)

Qual o benefício disso? As instituições tem em seus computadores exatamente o que precisam ou querem e isso cria um novo nixo econômico onde prestadores de serviço locais podem participar no que seria inpensável sem Software Livre e é incontrolável, quando temos Software Livre. Esse trabalho de customização gera melhoria de código ou desenvolvimento de novos softwares e assim o mundo continua evoluindo com a diversidade.

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